Futebol de rua / POR Johnny Guimaraes
12 de julho de 2017

As maiores mangueiras do mundo

Eram três grandes mangueiras na casa de vô Hugo. Segundo o que todos diziam, as maiores do mundo. E vô Hugo se orgulhava em lustrar de quando em vez as plaquetas, com as inscrições do mérito dos pés de manga. Imagina!, todo o pódio ali no seu quintal. E ainda havia a alegria de ser a terceira maior mangueira, a mangueira de frutos mais doces de Minas, conforme outra plaqueta. E por isso o dezembro chuvoso era uma festa. A maior mangueira, que ficava em frente à casa, ao menor vento nos presenteava com fogos de artifícios que eram os pedaços de telhas esvoaçando para todo lado. Vó violeta morria de medo. Nós, netos, quando a telha aguentava, ficávamos em posição de partida, ouvindo o rolar da manga pelas canaletas, e, pronto!, quem pegasse era campeão. Passava a chuva, que lavava a rua, mas não lavava nossas bocas e memórias de amarelo de manga. Íamos pro quintal, brincar de tudo. E vô Hugo dizia: “Não assustem as rolinhas”. Rolinhas que eu nunca vi. Procurava por todo quintal, entre as três árvores gigantes, perto do muro do mundo, em cima daquele telhado, e nada. As rolinhas do quintal de minha infância eram um mistério ou uma ausência, apenas confirmadas pelo receio de meu avô. Até hoje não sei se existiam. Às vezes, imagino-as voando, sem cor, só aquela fronteira em forma de pássaro, batendo suas asas transparentes.

  1. _________ disse:

    Highly descriptive post, I liked that a lot. Will there be a part 2?

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