Soltos / POR Johnny Guimaraes
13 de julho de 2017

Máquina de negar – a partir do filme A Valsa com Bashir

Lembrei-me de uns olhos

Lembrei-me de um tapa

Qual cor desses olhos que não quero ver?
Qual força desse tapa que não engulo?

Verde era a cor do olho que me maltrata
Ardor era a voz do tapa que me malcria

Vermelho era a cor do olho que me vigia
Sereno era o timbre daquele toque que me sangrava

Azul era o céu sobre o olho negro que via
Branca era a pele da mão que me batia

Caramelos são os olhos que me assustam em sonhos
Dizendo que o tapa de olhos me levou a óbito

Por óbvio, eram cegos os olhos que não queriam
Eram frágeis os dedos que me cortavam

Quero extrair o caldo daqueles olhos
Quero torno naqueles dedos

Arrancar da lembrança tal precioso câncer
Quero morder a beleza que não cresce com meu medo.

Sou um desastrado arquiteto
De um quarto seguro.

Meus livros à venda
Outras Publicações
Menu