Olhos de Ina / POR Johnny Guimaraes
6 de agosto de 2016

São Thomé das Letras

Este fim de semana me arranca um poema que o sorriso tá que não se aguenta, a cabeça intensa vem arrumando o jeito de não deixar cor nenhuma voar, nem o gosto todo que experimentei, nem o sol que nunca tinha visto daquele. E a coragem de ter colocado o pé gelado naquela água? que doeu por estar passando e eu ter percebido que a roda girava forte na cachoeira. Mas ainda me arranca um poema este fim de semana que me encheu como uma vida, quando percebi um tempo sem lógica, sem quarto, sem parede, sem limite de corpo. Era uma vez um fim de semana imenso, de quatro olhos que se fizeram espelho, daquelas mãos que me tatearam impossível imaginar tanto carinho quando me deu um tapa de olhos lindos por ter engolido todas as palhas italianas do mundo. Quem estava ali com a gente? Quem teve tempo de tirar as fotografias? Quero anunciar que este fim de semana sem registro de um só plano só cabe na crença de uma pirâmide, de um sussurro, gorjeio, canto de pássaro, que busca meditar que cada objeto que caiu pela madrugada, como um relógio que caiu da escrivaninha, veio ser sem peso, como um objeto imaterial, que compusesse um cenário de teatro e estivesse ali como a gente, acordando, manso, em forma de riacho. Quem estava ali com a gente neste fim de semana que me furta um poema, hem, Miriam?

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